Quando a Universidade Federal de Santa Maria, campus Palmeira das Missões (UFSM-PM) enviou sua equipe para o outro lado do mundo em abril de 2026, o objetivo era claro: entender como evitar que tragédias como as enchentes no Rio Grande do Sul se repitam. A missão técnica, realizada entre os dias 19 e 26 em Tóquio, não foi apenas um passeio acadêmico. Foi uma busca urgente por respostas sobre governança ambiental.
A delegação, liderada pelo professor Dr. Nelson Guilherme Machado Pinto, coordenador do PPGAGR e pelo mestrando Thiago Machado Budó, mergulhou na realidade japonesa. E aqui está o ponto crucial: o Japão é um dos países mais vulneráveis do planeta a eventos extremos. Terremotos, tsunamis, tufões – eles convivem com isso diariamente. Essa experiência prática é exatamente o que falta para blindar nosso estado contra os caprichos do clima.
O que foi aprendido nas ruas de Tóquio?
O roteiro foi intenso e focado. Os pesquisadores analisaram de perto a Baía de Tóquio e o Rio Sumida. Não olharam apenas para a paisagem; observaram as estruturas físicas projetadas para impedir que águas altas destruíssem cidades. É engenharia aplicada à sobrevivência humana.
Mas a parte mais reveladora aconteceu fora da capital. Na província de Ibaraki, a equipe visitou a Universidade de Tsukuba. Com o apoio do professor Claus Aranha, eles inspecionaram sistemas de evacuação e gestão de riscos integrados ao cotidiano universitário. "Veja como eles preparam o espaço físico antes mesmo da tempestade chegar", comentou a equipe ao retornar. É uma lição de planejamento preventivo que muitos municípios brasileiros ainda ignoram.
O contexto político e diplomático
A viagem não ocorreu no vácuo. Ela faz parte de um projeto robusto intitulado "O que nos fez chegar aos desastres climáticos do Rio Grande do Sul?". O estudo analisa a governança ambiental do estado sob a ótica de experiências internacionais. Para validar essa abordagem, a delegação reuniu-se na Embaixada do Brasil em Tóquio.
Lá, Carolina Saito e Vinicius Yamanaka Paes, do setor de Ciência, Tecnologia e Inovação, receberam os acadêmicos. O foco da conversa? Transferência de conhecimento. Como o Brasil pode adotar práticas japonesas de mitigação? A resposta curta: precisamos adaptar, mas urgentemente. O encontro reforçou que a cooperação bilateral não é apenas sobre comércio, mas sobre segurança pública e resiliência urbana.
Uma estratégia global de pesquisa
O Japão foi apenas uma etapa. Em fevereiro de 2026, a mesma equipe esteve em Nova Orleans, EUA. Por lá? Porque a cidade reconstruiu seu modelo de drenagem após o furacão Katrina, em 2005. Agora, os planos incluem Valência, na Espanha, conhecida por seus avanços em gestão hídrica. Essa tríade comparativa (EUA-Japão-Espanha) cria um banco de dados único para aplicar no contexto gaúcho.
E não estamos sozinhos nessa corrida. Enquanto a UFSM-PM estudava riscos, outras instituições brasileiras também buscavam soluções no Oriente. O SENAI, liderado por Rodrigo Mello, focou em hidrogênio verde e biocombustíveis, aproveitando o interesse japonês em investir US$ 1 trilhão em descarbonização. Já o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), representado por Eduardo Tavares, celebrou 130 anos de relações diplomáticas discutindo saneamento e drenagem urbana. Até a Fiocruz e o IMA de Santa Catarina estiveram presentes, ampliando o espectro da cooperação.
Por que isso importa para você?
Aqui está a verdade nua e crua: mudar a forma como gerenciamos desastres começa na academia. Se a UFSM-PM conseguir traduzir essas visitas técnicas em políticas públicas concretas, o resultado será menos prejuízo econômico e, mais importante, menos vidas perdidas. O Japão mostra que a prevenção não é luxo; é necessidade geográfica.
Perguntas Frequentes
Qual foi o objetivo principal da missão da UFSM-PM ao Japão?
O objetivo central foi compreender as estratégias de prevenção e mitigação de desastres naturais adotadas pelo Japão, um país altamente suscetível a eventos extremos. A pesquisa visa analisar a governança ambiental do Rio Grande do Sul através de comparações internacionais, buscando melhorar a gestão de riscos no estado brasileiro.
Quais locais específicos foram visitados durante a estadia em Tóquio?
A agenda incluiu análises técnicas na Baía de Tóquio e no Rio Sumida, onde foram observadas estruturas de prevenção. Além disso, houve visita à Universidade de Tsukuba, na província de Ibaraki, para estudar sistemas de evacuação e gestão de riscos físicos, além de reuniões na Embaixada do Brasil.
Como essa missão se conecta com pesquisas anteriores da equipe?
Esta viagem integra um projeto comparativo global. Em fevereiro de 2026, a equipe já realizou uma missão em Nova Orleans, EUA, para estudar os impactos do furacão Katrina. Futuramente, planeja-se visitar Valência, na Espanha, completando um triângulo de estudos sobre gestão de desastres em diferentes contextos geopolíticos.
Outras instituições brasileiras participaram de missões similares ao Japão?
Sim. Paralelamente, o SENAI focou em energias renováveis, o MIDR em saneamento e drenagem urbana, a Fiocruz em saúde e metagenômica, e o IMA de Santa Catarina em valorização energética de resíduos. Todas as missões ocorreram no contexto de fortalecimento da cooperação bilateral Brasil-Japão.
Quem liderou a delegação da UFSM-PM nesta missão técnica?
A delegação foi coordenada pelo professor Dr. Nelson Guilherme Machado Pinto, do Departamento de Administração e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Agronegócios (PPGAGR/UFSM-PM). Ele foi acompanhado pelo acadêmico de mestrado Thiago Machado Budó.