Thunderbolts* muda o jogo com duas cenas pós-créditos e oficializa os Novos Vingadores antes de Avengers: Doomsday

publicado : ago, 30 2025

Thunderbolts* muda o jogo com duas cenas pós-créditos e oficializa os Novos Vingadores antes de Avengers: Doomsday

por Turian

Dois pós-créditos que mexem com o tabuleiro

Thunderbolts* não guarda só um mimo para quem fica na sala. O filme entrega duas cenas pós-créditos e, nelas, uma virada com impacto direto no futuro do MCU: 14 meses depois dos eventos principais, o grupo é apresentado publicamente como os Novos Vingadores, com base operacional no antigo Avengers Tower, novos uniformes e orçamento que eles nunca sonharam ter. É a consagração pública de personagens que nasceram na zona cinzenta da moral.

Antes desse salto no tempo, a história fecha a conta com um risco interno: Bob, o Sentinela, quase sucumbe ao Void, sua persona sombria e violenta. Valentina Allegra de Fontaine, artífice das intrigas, joga sujo, tenta colocar o time uns contra os outros e ordena que o Sentinela “resolva o problema” de forma definitiva. O plano falha quando a equipe se une de verdade. Yelena Belova encara o impossível, entra na dimensão do Void para alcançar o Bob de carne e osso. Com apoio de Bucky Barnes e dos demais, ela ajuda Bob a trancar o Void lá no fundo, sem extingui-lo — um controle frágil, mas suficiente para evitar um desastre urbano.

Quem são os rostos do time? Uma seleção improvável, com histórico pesado e experiência de campo:

  • Bucky Barnes (Soldado Invernal), veterano de guerra com cicatrizes profundas;
  • Yelena Belova, espiã afiada e líder tática cada vez mais natural;
  • John Walker (Agente Americano), soldado patriota com moral inflexível;
  • Fantasma (Ghost), especialista em infiltração, marcada por instabilidade quântica;
  • Treinador (Taskmaster), capacidade de replicar estilos de luta;
  • Guardião Vermelho, músculo e ironia em doses similares;
  • Bob/Sentinela (Sentry), poder quase ilimitado e um lado sombrio incontrolável.

Com a cidade ainda fumegando, Valentina gira a narrativa. Ela convoca a imprensa às pressas e vende os Thunderbolts como “os heróis que salvaram todo mundo” e, de quebra, rebatiza a equipe como “os Novos Vingadores”. É a jogada de xadrez que livra a própria pele, enquadra o time sob seu guarda-chuva e reescreve a memória coletiva: de párias para salvadores em uma coletiva de última hora.

Conexões, treta legal e a porta escancarada para o futuro

As duas cenas pós-créditos se passam um ano e dois meses depois e confirmam que o rótulo pegou. Os Novos Vingadores operam com estrutura, tecnologia e vitrine. Só que o MCU não dá nada de graça. Um detalhe curioso alimenta a próxima fase: Sam Wilson, o Capitão América em atividade, entra com um processo por violação de direitos sobre o uso do nome “Vingadores”. O ponto legal pode soar técnico, mas a consequência dramática é clara: quem decide quem carrega o legado? Os veteranos? A opinião pública? Ou quem tem o prédio, a verba e a narrativa a favor?

Esse contencioso promete dividir atenções. De um lado, o peso simbólico dos Vingadores originais. Do outro, um time que ganhou a rua e resultados. Se a disputa escalar, dá para esperar desde batalhas de opinião até missões concorrentes, com a imprensa e governos escolhendo lados. No meio, Valentina, que agora precisa oscilar entre “mentora” e “refém” — e a provocação final de Yelena, um sussurrado “agora a gente é que manda em você”, joga luz no novo equilíbrio de poder.

O último pós-créditos, filmado pelos irmãos Russo — que estão à frente de Avengers: Doomsday —, solta a bomba que faltava: o Quarteto Fantástico chega por uma nave multidimensional com o número 4 estampado. É um aceno direto para Fantastic Four: First Steps e um convite sem rodeios para o próximo grande encontro. A entrada do Quarteto abre caminho para temas maiores: realidades paralelas, ciência em escala cósmica e vilões que brincam com as leis da física. E reforça que os Novos Vingadores vão dividir cena com pesos-pesados.

Esse cruzamento não foi improviso. A cena funciona como peça de encaixe entre filmes e entrega um “mapa” do que vem aí. Com a marca dos Russo, o tom é de continuidade controlada: costura-se o que foi apresentado aqui com o que a próxima fase quer explorar, sem engessar a história do time, que ainda tem arestas soltas.

Nos bastidores, uma curiosidade: o diretor Jake Schreier contou que a ideia original de pós-créditos era bem diferente — um retorno surreal ao começo do filme, com o porquinho-da-Índia que Yelena resgata no laboratório da OXE aparecendo dentro da dimensão do Void, correndo por “salas da vergonha”. Divertido? Sim. Relevante? Nem tanto. O estúdio bancou o caminho mais consequente, que amarra franquias e já aponta para o que interessa ao público agora.

E o desempenho? A crítica embarcou: a produção cravou 88% no Rotten Tomatoes, a maior nota da Fase 5 até aqui. No caixa, ficou aquém das expectativas: US$ 382 milhões para um orçamento de US$ 180 milhões. A reviravolta veio no streaming: depois de 27 de agosto, no Disney+, o boca a boca digital puxou novos olhares e deu outra vida ao filme, principalmente para quem acompanha o MCU pelo impacto nos próximos capítulos.

Do ponto de vista de personagem, há um saldo interessante. Yelena surge como polo emocional e estratégico. Bucky, com seu passado de Soldado Invernal, encontra no grupo uma missão que não dependa só de remorso, mas de proteção ativa. Walker segue como tensão ambulante: funcional em campo, imprevisível em escolhas. Ghost e Taskmaster ganham espaço como especialistas sem glamour, mas essenciais quando a coisa aperta. E o Guardião Vermelho é o “quebra-gelo” que, aqui e ali, garante que o tom não escorregue para o sombrio absoluto.

O elemento mais volátil continua sendo Bob/Sentinela. Trancar o Void “lá dentro” é diferente de resolvê-lo. A presença de um herói com poder quase ilimitado e um alter ego destrutivo cria um relógio sempre prestes a disparar. A equipe sabe disso, Valentina sabe disso e, após o reposicionamento público, o mundo também vai perceber. É o tipo de ativo que vira alvo de vilões, governos e cientistas — e que convida o Quarteto Fantástico a conversar sobre limites e contenção.

A mudança para o antigo Avengers Tower carrega símbolo e pergunta. Símbolo, porque é um retorno à casa que o público reconhece. Pergunta, porque alguém banca essa operação. Quem assina o cheque? O setor privado por trás de Valentina? Um arranjo governamental? E como isso se alinha com acordos e regulações que já azedaram a vida de heróis no passado? Não é detalhe: o financiamento define a agenda e pode reforçar a crítica de Sam Wilson sobre quem tem legitimidade para usar o nome “Vingadores”.

No curto prazo, o MCU ganha um trio de fios condutores: a marca “Novos Vingadores” testada na arena pública, a chegada do Quarteto que expande o alcance científico da narrativa e o conflito jurídico que cutuca a herança dos Vingadores originais. No médio, o encontro com Avengers: Doomsday parece inevitável, com os Russo ditando a cadência entre filmes para que os arcos não se percam em cameos sem consequência.

Se o objetivo era tirar os Thunderbolts do limbo moral e colocá-los sob o sol, missão cumprida. Agora vem a parte difícil: sustentar essa luz sem derreter as bases. Com um Sentinela em equilíbrio precário, Valentina encurralada pelo próprio álibi e um Capitão América disposto a brigar no tribunal, a tal “fase heróica” do grupo começa turbulenta. Ótimo para a história. Melhor ainda para quem gosta de ver o MCU se arriscando de verdade.

Comentários (6)

Luís Vinícius M C

Essa cena do Bob dentro do Void com o porquinho-da-índia era pra ser o pós-créditos original? Que loucura. O estúdio acertou em cheio em trocar por algo que realmente conecta com o MCU. Agora é só torcer pra não virar mais um filme de vilão que não sabemos quem é.

Ayrton de Lima

Se você não percebeu, isso aqui é uma metáfora pós-moderna sobre a construção de mitos na cultura contemporânea. Valentina não é uma vilã - é a própria indústria do entretenimento manipulando a memória coletiva. O nome ‘Vingadores’ foi despojado de seu significado heroico e transformado em marca registrada, e o MCU está nos mostrando, com uma elegância quase shakespeariana, como o capitalismo absorve até o mais sagrado dos símbolos. O Capitão América processando o time? Isso não é drama jurídico - é o luto de uma geração que ainda acredita em ideais. Enquanto isso, o Sentinela, com seu poder ilimitado e sua alma fragmentada, é o verdadeiro herói trágico: um deus que não quer ser deus, mas que o mundo insiste em forçá-lo a ser. E o Quarteto Fantástico chegando por uma nave com o número 4? É o algoritmo do destino. Quatro. Sempre quatro. A estrutura que sustenta todos os mitos. E nós, espectadores, somos os novos sacerdotes, assistindo ao ritual.

Iara Rombo

É curioso como o filme usa o espaço físico do Avengers Tower como um símbolo de legitimação. O prédio não é só um lugar - é a memória coletiva do MCU. O fato de os Thunderbolts ocuparem esse espaço, mesmo sendo um grupo de ‘desajustados’, redefine o que significa ser herói: não é sobre origem, é sobre ação. Yelena, que antes só obedecia ordens, agora lidera. Bucky, que passou anos fugindo de si mesmo, encontra propósito na proteção ativa. E Bob? Ele não é um vilão nem um herói - é um problema humano que ninguém quer resolver. O filme não tenta dar solução fácil. Ele só mostra que, às vezes, o melhor que podemos fazer é manter o equilíbrio, mesmo que frágil. Isso é mais realista do que qualquer superpoder.

Cheryl Ferreira

Os números não mentem: 88% no Rotten Tomatoes, US$ 382 milhões em bilheteria, e o filme só ganhou vida no Disney+ após 27 de agosto. Isso prova algo fundamental: o público não quer apenas efeitos especiais - quer narrativas que se conectem. Thunderbolts não é um filme de ação, é um estudo de personagens em transição. A escolha de manter o Void contido, e não destruído, foi genial: mostra que o mal não é eliminado, apenas gerenciado. Isso é um aviso para os próximos filmes: não vamos ter vilões simples. Vamos ter sistemas, traumas e poderes que não podem ser controlados. E o fato de o Quarteto Fantástico entrar por uma nave com o número 4? É um recurso narrativo inteligente. O número 4 representa equilíbrio, harmonia, a base da geometria. Eles são o contraponto científico ao caos emocional dos Thunderbolts. Isso não é cameos - é construção de universo.

Rodrigo Junges

Yelena falando ‘agora a gente é que manda em você’ foi o melhor momento do filme. Valentina achou que tava manipulando todos, mas esqueceu que ela criou um time de psicopatas com senso de justiça. Agora ela tá presa no próprio jogo. E o Capitão América processando? Boa. Que venha a briga judicial. O MCU tá precisando de conflito real, não só de explosões.

Laís Norah

Se o Bob voltar a perder o controle, vai ser um desastre. E ninguém está preparado.

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sobre o autor

Turian Biel

Turian Biel

Sou especialista em notícias e gosto de escrever sobre tópicos relacionados às notícias do dia a dia no Brasil. Trabalhando como jornalista há mais de 15 anos. Tenho uma abordagem analítica e procuro trazer uma perspectiva diferenciada aos leitores. Meu objetivo é manter as pessoas informadas sobre os acontecimentos mais relevantes.

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